segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

O que ano velho tinha que ninguém viu

Curiosa como ninguém, Bianka queria saber de todas as coisas misteriosas do mundo. Ela morava numa redondeza de Maragogipe e tinha apenas 15 anos, mas parecia uma criança com 3, na era dos “porquês’’. Outro dia mesmo ela questionou por que os meses geralmente têm 31 ou 30 dias, por que nem todas as plantas põem flores. A última dela foi perguntar para aonde a água da maré vai e de onde vem. A tia dela, Dona Bilú, achava a menina muito esperta e começau ver ali um futuro de investigadora, porém se aborrecia com algumas perguntas da garota.
As respostas que obtinha nunca eram suficiente, Bianka sempre continuava na dúvida e pesquisava em outras fontes. Mas a curiosidade não é a única característica da menina, ela tem muitas outras e uma delas é a observação. Já perto de terminar o ano de 2012, quando todos de sua família estavam reunidos na mesa do jantar, ela levantou e falou:
 – Eu vi o que o ano velho tinha de maravilho que ninguém viu. Que apostar?
Ninguém se atreveu a falar que sim.
E Bianca conta o que observou no ano velho num longo discurso.
– Por acaso, alguém reparou quantas vezes o dia amanheceu lindo aqui em Maragogipe? É claro que não. Mas eu sim. Todos os dias amanheceram lindos e sabem por que afirmo isso? Porque os dias nasceram todos iguais e o que faz eles ficarem lindos é o nosso pensamento e no meu todos foram lindos. Ah, sei que ninguém também reparou quantas vezes o beija-flor veio nos cumprimentar. Até justifico essa falta de observação ao fato de ninguém se preocupar com o que os pássaros fazem o deixam de fazer. Eu me importo e se sei que durante um mês um casal apaixonado desse pássaro veio falar com nossa família.
Dona Bilú interrompe a sobrinha.
– Bianca, meu anjo, a gente anda com a cabeça tão cheia de coisas importantes que não temos tempo para reparar essas bobagens, que na sua cabecinha de adolescente são coisas preciosas.  Mas já que você observou tantas coisas nesse ano, será que contou quantas vezes torrou nossa paciência com perguntas bobas?
Minhas perguntas nunca são bobas, tia, e eu sempre tenho razão. Vocês só ficam chateados comigo porque não sabem as respostas. Tenho certeza disso.
O dialogo entre a família e Bianka arrastou a madrugada e o ano novo chegou sem que ninguém tivesse percebido.

Por Valdelice Santos

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Literando