segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Causos que estimulam ir ao médico

       Tem muita gente que morre de medo de ir ao hospital, confesso que eu também não gostava, mas é bom porque podemos nos prevenir de coisas que podem virar pedras em nossos sapatos.
      Pode parecer estranho, mas eu tenho me divertindo muito ultimamente indo ao hospital. Como eu não desfruto de um plano de saúde, utilizo o Sistema Único de Saúde, o monstrinho SUS para alguns, e para conseguir uma vaga médica é preciso acordar de madrugada e enfrentar uma longa fila. Só conto com a sorte de morar bem pertinho do hospital e não ter problemas com o transporte para chegar ao local.
       A minha maior diversão é quando dois senhores, um de São Félix e outro de Cachoeira, chegam ao hospital depois das quatro da matina, geralmente não pegam ficha, vão mais para contar causos, que juram ser verídicos. Outro dia mesmo, um deles disse que ganhou cinquenta reais de certo político:
      – Vocês estão duvidando? Eu não estou mentindo, quando mato a cobra eu mostro o pau. – disse ele.
        O senhor pegou um saco que tinha jogado próximo a porta do hospital e foi procurar o dinheiro. Abriu o saco e tirou outro saco de dentro, cheio de papel amassado, espalhou tudo pelo chão:
       – Pode deixar tudo aí no chão, que eu cato depois. Eu não faço nada mesmo, a minha vida é olhar a vida dos outros.
       Todos da fila fingiam não prestar atenção no senhor, mas na verdade estavam curiosos para ver a grana. E ele continuou procurando. Abriu mais um saco que tinha outro preto dentro e tirou um álbum:
     – Aqui, pronto, agora eu provo que não estava mentindo. Ta vendo essa foto aqui? Foi esse político, que está de azul, que me deu cinquenta reais, sem eu pedi nada. Ele me deu porque viu que eu sou gente boa, e ainda me mandou essa foto, que ele tirou quando veio para a inauguração da UTI do hospital.
       Eu e todos da fila ficamos sem entender direito a história, pois esperávamos ver o dinheiro e não uma foto que não disse nada sobre o causo do senhor.
       História desse tipo se ouve todos os dias pela manhã, no hospital de São Félix e elas me distraem tanto que nem vejo a hora passar, até meu sono vai embora.

Valdelice Santos

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