segunda-feira, 25 de julho de 2011

Brincadeira que não tem idade

A pipa diverte quem brinca e quem vê o espetáculo no céu
Quem passa por Cachoeira, São Félix, Maragogipe e outras cidades do Recôncavo pode perceber que o céu da região está com um colorido diferente: são as pipas que aparecem nessa época em que o vento está mais propício para a diversão.
As pipas podem ser pequenas, grandes, gigantes, de vários formatos coloridas. Elas podem ser confeccionadas pelo próprio empinador. Papel, varetas de bambu, linha e cola são os materiais usados para fazer esse brinquedo. Quem não quer fazer, pode comprar nas casas dos fazedores de pipa, por um preço bem baixo. Elas são vendidas na região no valor entre 25 e 50 centavos, mas isso não inclui a linha.

O jovem sanfelista, Roosevelt Froes, deixou a brincadeira de lado para fazer pipas, acha mais divertido e lucrativo. “Eu brincava muito quando era criança, mas agora eu uso minha criatividade confeccionando as pipas. Faço de vários tipos e com muito colorido, só que isso fica apedido do freguês”, conta.
Pipa é um brinquedo que voa baseado na oposição entre a força do vento e a da corda que é segurada por uma pessoa. E para curtir altos vôos do brinquedo é preciso está num lugar que vente, para ele subir com facilidade.

Risos que a brincadeira oferece

A brincadeira encanta crianças, jovens e até pessoas mais velhas, mas é preciso alguns cuidados para a diversão não se tornar risco. Procurar um lugar adequado para soltar pipa é fundamental, pois pode transformar em perigo para quem empina e transtornos para a população. É preciso, por exemplo, manter o brinquedo longe da rede elétrica, que além de descargas elétricas, pode provocar curtos-circuitos e trazer como conseqüência a interrupção do fornecimento de eletricidade e até a queima de eletrodomésticos na vizinhança.

Dannyson Costa do Lago, 10 anos, procura sempre lugares abertos para empinar, como campo de futebol e praças, evitando o máximo ficar próximo de rede elétrica. “Eu gosto mais de brincar em campo porque tenho medo que a pipa enrole no fio do poste”. Além de risos com fios elétricos é preciso também ter cuidado com os veículos, já que muitas pessoas ficam observando o céu e atravessam a rua sem olhar para os lados. O próprio Dannyson já correu esse riso. “Minha mãe me chamou e eu atravessei olhando para pipa no ar e uma mota quase me pegava. Eu fiquei de castigo por não prestar atenção na pista, mas sair logo. Não aguentava mais ficar sem brincar porque quando brinco de pipa meu pensamento voa junto com ela e o tempo passa rapidinho”.
Existem pessoas que brincam de pipas utilizando o cerol (mistura de cola com vidro moído), apesar da proibição e da orientação de autoridades a prática ainda é comum. O cerol é usado para passar e cortar as linhas de outras pipas, mas se torna uma grande ameaça para condutores de motocicletas e principalmente os mototaxistas.

Forma segura de praticar a brincadeira

- Empinar longe de rede elétrica e de preferência em espaços abertos;
- A utilização de “rabiolas” deve ser evitada, elas agarram nos fios elétricos, desligando o sistema e provocando choques;
- Não utilizar papel alumínio, pois este material, em contato com os fios, provoca curtos-circuitos;
- Caso a pipa enrosque nos fios, evite subir em telhados ou postes para recuperá-las representa risco de choque;
- Não solte pipas na chuva. Ela funciona como pára-raio, conduzindo energia;
- Não subir em lajes das casas para empinar pipa;
- Linhas metálicas não devem ser usadas no lugar da linha comum, pois podem provocar choques elétricos;
- Preste atenção no trânsito quando for atravessar a pista empinando pipa;
- O uso do cerol* é proibido por lei e pode matar.

*A Lei Estadual 12.192, de janeiro de 2006, proíbe o uso de cerol em linhas de pipas ou de qualquer produto semelhante que possa ser aplicado em linhas de papagaios ou pipas, sujeitando o infrator ao pagamento de multa. Se o infrator flagrado utilizando cerol for menor, os pais são responsabilizados.

Nomes dado a pina no Brasil

- Papagaio: em todo o território
- Quadrado e Papagaio: interior de São Paulo
- Quadrado, Papagaio e Pipa: São Paulo (Capital)
- Pipa: Rio de Janeiro
- Pandorga: Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Sul do Paraná
- Raia: Norte do Paraná até Curitiba
- Cafifa: Niterói
- Curica, Cangula, Casqueta, Chambeta e Pepeta: Norte
- Arraia, Morcego, Lebreque, Bebeu, Coruja, Tapioca, Sura, Bolachinha, Mosquitinho: Nordeste

Valdelice Santos


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