segunda-feira, 15 de março de 2010

Conversas proibidas


        – Então, você já decidiu se irá comigo na festa de aniversário de Clarinha?
        – Não. Acho que iria me senti sozinha lá. Não deve ter ninguém igual a mim nessa festa. É melhor você ir e eu ficar aqui torcendo para você se divertir bastante.
        – Eu é que vou me senti sozinha se você não for. Por favor, vamos amiga? Uma faz companhia à outra!
     – Milena, com quem está conversando? Aposto que é com as suas bonecas, novamente. Eu já proibi você de ficar com essas maluquices.
     – Não mãe. Não é nada disso que a senhora está imaginando. Eu estava apenas cantando.
     – Eu sei, parece que não te conheço, menina!
      Milena ficou ali por um bom tempo tentando explicar a sua mãe de que não estava conversando com as suas bonecas, porém toda a redondeza de Cachoeira, cidade onde ela morava, já sabiam de sua mania. Sua mãe, Alice, não gostava nem um pouco dessas conversas, pois tinha medo que um dia ela ficasse louca.
      A menina era filha única e não tinha amigos próximos a ela, por isso se divertia criando diálogos imaginários com suas bonecas. Mas ela não era a única a cultivar essas manias, sua amiga Clarinha estava completando quinze anos e ainda conversa com bonecas.
       Depois da reclamação de Alice, Milena bolou uma estratégia: vivia triste pelos cantos da casa, se fingindo de estátua como se fosse uma boneca, tentando convencer sua mãe de que sua vida seria sem graça se ela não tivesse os inocentes diálogos de criança com suas bonecas.

Valdelice Santos

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