segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

A intrusa falta de sorte

      O carnaval de Maragogipe é a festa do colorido, das fantasias, das máscaras; do povo brasileiro, do nordestino, do maragogipano. Festa de longa tradição, que nunca deixa de fora a alegria e o entusiasmo, compartilhados entre povos de gostos e de desejos distintos.
      É uma pena eu nunca ter participado ao vivo e em cores dessa linda festa. Não que eu não queira. É que a falta de sorte gosta de brincar comigo: quando era pequena, minha mãe não deixava porque causa da idade, agora que cresci, sempre tenho um compromisso inadiável no período da festa. Mas não pensem que eu fico de fora dela, não. Sempre tô de olho no que passa na TV e busco informações de quem registra na memória e nos equipamentos eletrônicos o que aconteceu na festa.
     Se eu pudesse ficar de frente com essa tal falta de sorte, confesso que daria um soco bem forte na ponta de seu nariz. É de morrer de raiva mesmo, morava no local da festa e não podia ir. Quando era menor, achava que era mais fácil. Que nada! Chorava bastante, de soluçar, mas minha mãe não se comovia nem um pingo com as minhas lágrimas e ainda me dizia com forte tom:
    – Trate de se aquietar aí no seu canto. Não sei o que quer fazer nessa festa.
    Depois que cresci, que já sou dona do meu nariz, essa sem vergonha – a falta de sorte – resolve aparecer novamente, impedindo que eu mate a minha curiosidade de saber a magia desse carnaval, pois todo mundo que vai uma vez, não quer perder mais.
   Neste ano não pude ir, mas no próximo estarei lá, usando a máscara sabe de quem? Da falta de sorte! Pois é. Já que ela está sempre se intrometendo no meu carnaval maragogipano, vou levá-la comigo.

Valdelice Santos

3 comentários:

  1. Isso é verdade, minha cara Valdelice. Desculpe eu entrar assim, mas a palavra Maragogipe, me chama atenção em qualquer lugar que é escrita. O NOVO realmente não existe, sempre teremos imitações e/ou tranformações de algo que já temos. O velho remodela-se, a história é cíclica e não temos como romper de uma vez aquilo que é posto.

    O discurso há, mas a mudança só depende das pessoas que realmente desejam um lugar melhor para se viver. A novidade, só vem, quando estamos prontos para dizer. Eu quero ser feliz. Mesmo assim, buscaremos em modelos antigos, meios para conseguir ela. Não tem como não olhar o passado, ele é nosso guia.

    Agora, é uma pena vermos essa situação em Maragogipe. Isso é tão sério e tem tanto tempo, que posso lhe dizer, tenho 29 anos, nasci em Cachoeira, mas sou maragogipano com muito orgulho e ninguém tira isso do meu peito.

    Blog do Zevaldo Sousa
    (www.zevaldoemaragogipe.com)
    zevaldo.sousa@gmail.com

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  2. Ahhaa, e quero ver fotos dessa sua tal fantasia!!!

    Estaremos lá ano que vem, Val.

    Inté.

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  3. Pode acreditar, você está coberta de razão, a festa é mesmo linda!

    Participo todos os anos, sempre mascarado. Quero ter o prazer de ver como será essa sua fantasia também!

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