quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Doces de São Félix



Doces cristalizados de dona Teresinha

A cidade presépio do Recôncavo, São Félix, esconde grandes talentos da culinária, a exemplo de dona Maria de Lurdes e de dona Teresinha. São pessoas simples, no entanto possui o segredo dos melhores doces da cidade. Por São Félix ser uma cidade pequena, tem poucas oportunidades de trabalho, e devido a isto, muitos terminam criando o seu próprio negócio. Embora o lucro seja pouco, o prazer empregado ao fazer o doce e o elogio de quem come o mesmo, motivam a cada dia as doceiras, não deixando essa profissão extingui-se.

Dona Lurdes

Dona Lurdes e seu neto com o doce de laranja


Dona Maria de Lurdes Gonçalves de Souza, 67 , mãe de quatro filhos, aprendeu a fazer doces muito jovem com uma irmã e vizinhas que davam aula de arte-culinária. Devido a sua curiosidade aprendeu o segredo de um bom doce com as mesmas. Ela é uma pessoa muito simples, tem espírito de jovem e esconde grandes histórias de seus milhares de doces já feitos, debaixo de seus cabelos grisalhos. Faz doce mais pelo prazer porque o lucro que obtém com a venda deste, é muito pouco. Lurdes não recorda qual foi o seu primeiro doce nem a idade exata que tinha na época.

Dona Lurdes sabe fazer diversos tipos de doces: cocada, bolinha de jenipapo e de goma, doce leite, de banana, de abacaxi, de goiaba, de limão, de laranja, dentre outros.
O doce de laranja é feito com laranja amargosa. É o mais vendido e também o mais trabalhoso. “Ele é um pouco cismado, não pode ficar destampando e cheirando no seu recipiente, pois ele perde a qualidade. O segredo de um bom doce é o amor e muita dedicação porque se você faz uma coisa e não tem dedicação para fazer, nada dará certo'', declara dona Lurdes.

Dona Teresinha

Teresinha de Jesus

Dona Teresinha de Jesus Oliveira, 72 , mãe de 9 filhos, bisavó e possuidora de grande entusiasmo, produz uma variedade de doces cristalizados e de caldas. Aprendeu a fazer estes ainda na adolescência com uma prima que também lhe ensinou o segredo da costura. Explana dona Teresinha: “Comecei a fazer doce ainda quando trabalhava no colégio e fazia apenas para arrumar minha casa pelo Natal, mas o povo não dava valor. Porém minha filha ia se formar e eu não tinha condição de fazer um bolo bonito, eu fiz aquela torta simples e enfeitei com doces cristalizados que estava fazendo já para o Natal. E fez o maior sucesso. Todo mundo perguntou no seu colégio: Foi sua mãe quem fez esses doces? E eu também dava as minhas amigas. Assim foi espalhando a notícia de meus doces por aí.’’
Dona Teresinha já fez um documentário para a TV cultura e três dias depois que este foi ao ar a TV Globo veio entrevistá-la. Seus doces são vendidos por todo país e também exporta para a Itália e Alemanha. São feitos com muita paciência, amor e dedicação, que para ela é o segredo destes. Sua renda não é exclusiva dos doces, e ela garante que não faz apenas por interesse financeiro, e sim pelo prazer que estes lhe proporcionam depois de meio século de idade.


Valdelice Santos

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