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Sorte ou azar

Por aqui no interior, no Recôncavo da Bahia,  Uma coisa todo mundo guarda ou já ouviu de alguém um dia Um ditado dos mais velhos que deveria respeitar.  "Não guarde espelho quebrado", "não deixe a roupa pelo averso ficar".  "Palma da mão coçando?  É sinal de dinheiro chegando". Ah, são tantos que nem cabe tudo na minha mente.  Não há nenhum estudo que comprove isso cientificamente,  Mas não nos cabe contestar, apenas respeitar Os vários conselhos da crendice popular Que já fazem parte do nosso cotidiano.  Alguns deles são pra sorte, outros pro azar.  Tem quem acredite, outros vivem a duvidar. E assim vamos vivemos, aderindo-os, muitas vezes sem perceber.  Isso só nos mostra que da nossa cultura ainda temos muito que aprender. 

A fera lobisomem 

Falar de lobisomem?  Nossa, que medo.  Medo do que nunca vi, só ouvi,  Mas é medo.  Nada de ser igual a São Tomé, de ver para crer.  Não dá pra bancar a valente,  Era e sou valente na fé.  Na fé de nunca encontrar esse bicho.  Me gelo só de imaginar seus assovios agudos e penetrantes.  Cruz credo, quero nem pensar.  Pra fugir do bicho, só um bom atleta.  Isso era o que eu ouvia contar.  Ouvir muita coisa. Diziam que um truque pra escapar da fera é atravessar um rio.  Um rio? E quem ia achar um rio por aí?  Eu que nunca me atrevi, não saía a desfilar.  Coisas feias eu ouvi falar.  Até filhotes de animais não eram perdoados. Ah, se eu pegasse esse desgraçado.  Bem, se eu pegasse esse desgraçado dava uma surra de cansanção.  Só pra ele aprender e pelos outros ter compaixão.  Tô falando por falar, coragem para isso tinha não.  No chão dura já estaria, antes mesmo de ele me achar.  Meu pa...

Grito de carnaval

Tá chegando o dia. Dia de gritar o carnaval, De espalhar colorido pelas ruas. Ruas da nossa Maragogipe - Bahia E quem grita, grita por tudo e grita forte Por mais amor, sabedoria, compaixão e alegria. Que todos brinquem na paz sem a máscara da morte. É dia oito de fevereiro, minha gente, não precisa passaporte, Venha se misturar também na multidão vestido com sua fantasia. Só não vale brincar tudo de uma vez porque depois tem o grande dia. Pra não deixar a quarta- feira acabar em cinzas, é preciso de mais energia.

O carná, o carnaval

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O carnaval existe desde a Antiguidade E aí mesmo, muita gente já se divertia E era gente de toda idade. Simbolizando a inexistência de classes sociais, Os foliões usavam máscaras e disfarces. E nessa luta da folia, todos tinham os mesmos ideais. Os portugueses trouxeram para o Brasil o Entrudo , Desse então fizemos o nosso carnaval antes do “carnaval”. A partir daí a festa se espalha pelo mundo. Ela ganhou característica própria Com a mistura do Entrudo e do Baile de Máscaras Veneziano. O povo só lamenta que seja apenas uma vez ao ano. Essa festa não é só sua, Cidades do Recôncavo também tinham e era de Clube e de rua Cachoeira e São Félix faziam parte dela  Que acontecia de forma paralela. Maragogipe ainda permanece firme e forte Que maravilha que teve essa sorte! O carnaval é a festa das multidões, Todos podem se despir dos preconceitos e rivalidades, E no carná, carnaval se igualarem numa só condição de foliões. Por Valde...

Eu vi quando passei

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Muita coisa eu vi quando fui à última vez no meu rio predileto.  Lugar de tranqüilidade e de linda natureza.  Lá está o rio do Sinunga, que fica entre São Félix e Maragogipe.  Lugar mágico de águas quentes, uma verdadeira fortaleza.   Eu vi uma criança hipnotizada com um peixinho,  Sentada na pedra jogando comida para ele se alimentar.  O infeliz do peixe se distraia com a cena   E nem dava bola para aquele doce olhar.  Vi água correr com pressa de chegar num cantinho e descansar.   Mas quem não está nem ai é um beija-flor,  Que no bico leva comida para seus filhotinhos,  Que cantam de alegria ao vê-la de longe no vôo bicolor.  Vi gente se banhar e até namorar um pouquinho.  Ah, eu estava lá pra atrapalhar um pouquinho,  Mas estava tão longe que nem notaram minha presença  Estavam envolvidos com o amor e sua ardência.  Vi muitas coisas que só se ver por a...

Natal na cidade presépio

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Considerada cidade presépio, Pelo morro que dá esse formato, São Félix entrou no clima de Natal E os moradores aderiram a esse ato. A cidade está com um colorido bem diferente Presépios foram armados em vários lugares: Na santa casa de saúde e também na prefeitura A iluminação ficou por conta dos jardins e de muitos lares. O Natal é uma festa mágica, Que celebra o nascimento de Jesus e contagia a população. O presépio fica armado até 6 de janeiro, o dia de Reis. E a chuva foi a primeira na cidade a ver a decoração. Valdelice Santos

A arte de Charutar

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Alguém um dia me disse que tudo produzido por nós é arte, então, fazer charuto também é. Já que é assim, quero lembrar das charuteiras que trabalham no Centro Cultural Dannemann, local que tem tudo a ver com arte, Lá acontece sempre exposições artísticas. E fazer charuto é complicado, exige muitas habilidades. Uma charuteira me falou que uma pessoa pode levar cerca de seis meses para dominar todas as técnicas. Mas além das técnicas tem que colocar muito amor para que o degustador possa se apaixonar por sua arte, o charuto. Valdelice Santos

De Cachoeira para o mundo

Cachoeira é grande, muito grande Grande porque sempre cabe mais um Mas essa terra tornou-se pequena Pois a FLICA trouxe um grande zum-zum. Muita gente veio para cá, Contribuir com seu talento, Dentre eles estrangeiros e brasileiros Todos aguardando o grande momento. E essa Festa Literária Internacional de Cachoeira Trouxe ao mundo a simples forma de fazer e viver cultura E mostrou que cada um tem a sua maneira. De onze a dezesseis de outubro todos poderão participar De muita música, bate-papo e discussão Que sem dúvida vai abalar. Se você não puder vir a FLICA nada de agonia, Ano que vem terá mais E mais uma vez o mundo vai conhecer um pedaço de nossa Bahia. Valdelice Santos

Uma fuga no Faqui

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No Jardim do Faqui Coisas acontecem Q ue só podem ser contadas por quem anda por ali. No escurinho da noite, que é pouco ilumi nado, Casal se encontra para se amar Já os senhores vão ali para descansar. Ali também é um local ideal para um bate papo entre amigos. A brisa do Paraguaçu inspira bons pensamentos Trazendo a todos ótimos ventos. De repente um flagra de criança aprendendo a andar E os pais com olhar atento E uma imensa alegria que não consegue disfarçar. Tem também os que vão apenas para ler Seus livros e jornais Desfrut ando a linda paisagem que ilustra todo o cais. Coisa c omum em Cachoeira E que eu não posso esquecer de mencionar, Os que buscam esse maravilho canto para ali cochilar. Valdelice Santos

No meio do Paraguaçu

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Uma árvore pintada de branco. De São Félix e de Cachoeira pode se ver o encanto. São garças que de longe veem E fazem da árvore o seu aposento. Peixes, pequenos anfíbios e crustáceos Fazem parte de seu alimento. Costumam andar em bandos na época da reprodução, Enfeita a pequena árvore com essa união. A sua elegância é tão bela, Que enfeita a verde árvore do rio. Quem ver de longe ou de perto percebe que a cor sumiu, Dá lugar ao branco e nova árvore surgiu.

Um convite

Dizer que é bom e nada melhor não há Não é um caminho fácil de agradar. Gosto é gosto e cada um tem o seu, Mas se eu te convidar Para um dia assim, sei lá, Dá uma passadinha nesse lugar, Aposto que iria gostar. Então, aqui vai meu convite: Passei de barco no Paraguaçu até Maragogipe. Paisagens lindas irá desfrutar, Além de se apaixonar pela riqueza desse lugar.

Um lar dos velhinhos

A Casa dos Velhos de Cachoeira abriga mulheres Com histórias de vida um pouco perdida no tempo, Na memória apagada pela idade, Isso acontece sempre contra sua vontade E ninguém pode evitar. Ou até mesmo quiseram esconder Em algum cantinho para ninguém encontrar. Mas há outras histórias que pode ser recuperada: A do momento de sua chegada em sue novo lar. Tudo é diferente Parece que de repente Todo mundo lhe esqueceu. Nem mesmo sua família vai lhe visitar. Ai que vida amargurada, Não há por quem esperar. Resta sonhar com um futuro lindo Construir um novo mundo E nele habitar. Valdelice Santos

Parabéns a Cachoeira

Há 174 anos se emancipou E nos conquistou por ser Histórica, heróica, religiosa e muito bela, Não deve existe nem outra como ela. Vive na simplicidade, Não pode e não quer a modernagem, Embora para muitos isso seja bobagem. Mas há de se saber Que não e deve esquecer, Que aqui está um pedaço de nossa história E jamais devemos apagar da memória. Mas sem muitos rodeios E através desse meio, Vim aqui dar meus parabéns À cidade das ladeiras: A famosa Cachoeira.

Um velho conhecido

Quem nunca ouviu falar De um tal de trem Que por São Félix Vive a circular? Seu trajeto é de Minas à Bahia e Só carga pode levar, Ir como passageiro nem pensar. Com o passar dos anos Muita coisa vai mudando E o trânsito vai se complicando. Quando ele pela cidade passa Tudo se embaraça E nada por ele passa Durante algum tempo, Mas depois desse momento, Ainda ouve uns xingamentos De um ou dois senhor, Que com certeza se atrasou. Porém o trem não ligou nem um pouco Arrastou todo o seu corpo, Sem tempo de sentir saudade, Já que pelo fim da tarde Ele promete voltar. Valdelice Santos

Passos

Uma leve pisada vinha de um canto meio fechado, um pouco nublado. Parecia de um aventureiro, ou talvez de um animal pronto pra dar um bote disfarçado. Vinha me olhar? Vinha apenas me tocar? Ou quem sabe nem vinha falar comigo? Não se sabia o propósito daqueles passos, Tão delicados e enfeitiçados. Eles chegavam mais perto de mim. Já não tinha mais leves passos. Tudo era mais rápido e mais e mais rápido. Um olhar quente e arrebatador me enfrentava, ali a minha beira. Não dava para acreditar. Mas era a minha sombra a mim acompanhar pelas ladeiras de Cachoeira. Valdelice Santos

Cores da vida

Cores, cores, uma explosão de cores. Cor da saudade, cor do amor, Cor da harmonia, cor da felicidade, Enfim, cor da vida. Na rosa, nas orquídeas, na margarida, Nas folhas, nas pétalas e em você. Na memória, na história, aqui agora, Num dia bom, num dia de nada: Parado, agitado, apaixonado, Passageiro, insensível, em vão. Sem ar, sem amor sem vida. Cores, cores e mais cores. Cores nas flores, nos amores, Cores nas cidades. Em Maragogipe, em São Félix, em Cachoeira Sem cores não há vida, Não há sabores, amores, valores.... Não há cidade na primavera. Valdelice Santos

Festa de São Félix

Hummm, que bom é está por aqui. Passear, dançar, namorar e se divertir; Sentir o calor humano, e não ter pressa pra se despedir. Saber o que não sabia, viver o que não vivia e guardar todo encanto e magia Da festa que mais encanta na Bahia. Ela já é tradição, mesmo que alguém diga não, no fundo do coração Dizer não era tudo que não queria. Viva a festa de São Felix, viva o povo sanfelista! Que viva e viva todos para que possa ter mais conquista E em todo setembro trazer mais emoção, Munidos de paz no coração e celebrar mais uma festa linda. Valdelice Santos

Festa de São Bartolomeu

Devoção, fé, tradição... Gente de longe, gente de perto. Todos na expectativa da grande festa da região. É a festa de São Bartolomeu Que tem no mês de agosto a sua comemoração. Acontece na exuberante cidade de Maragogipe, Onde ele é o padroeiro. Lá todos se divertem, com dinheiro ou sem dinheiro, O importante mesmo é está entre a multidão. Multidão que é fiel, Não decepciona num só ano. Durante a festa o sangue se mistura E todos se sentem maragogipano. Valdelice Santos

Esqueceram de nós

Olá, tem alguém me ouvindo? Preciso de ajuda! Estou muito velha E não consigo ficar mais em pé. Vivo cercada de amigos E a maioria deles estão iguais a mim. Muitos já se foram E nem tiveram tempo de se despedir. Não quero ser destruída assim, Preciso que reconheçam o meu valor. Não podem esquecer de mim e dos meus amigos Podemos continuar fazendo história E não apenas ficar na história. Vivo num chão de lutas e guerras, Que conquistou a liberdade. Sou apenas um casarão de Cachoeira, Esquecido e maltratado pelo tempo. Valdelice Santos

Céu do recôncavo

Fascínio, encanto... amor a primeira vista. Fui pega de surpresa, Não tive como resisti. Foi tão forte que adentrou nos meus olhos E fixou no meu coração em questão de segundos. Ele é lindo! Não dá para negar. É sereno, deslumbrante... Seu amor não é só meu, Mas isso não faz tanta diferença assim. O que importa mesmo é ele existir, Seja lá da forma como queira ser apreciado Por mim e até por você. É, por você! Você também pode se apaixonar Pelo céu do recôncavo E se envolver no seu infinito azul. Valdelice Santos